|
Links
a
b
c
d
e
f g
h
i
j
k
l
m
n
o
p
q
r
s
t
u
v
w
x
y
z
{[(...)]}
|
sábado, dezembro 20, 2003
Não vi a entrevista do Los Hermanos no programa do Jô Soares. Eu costumo não ver essas coisas, mesmo. O Green Jelly, anos e anos atrás, eu também não vi, mas daqui a pouco volto a eles. Apesar de não ver, eu meio que fico sabendo, e sempre lembro de quando os Melhores do Mundo foram lá pela primeira vez, e reza a lenda que o Jô ficava xaropando, roubando piadas pra ele, não deixando os caras falarem, ou seja, basicamente tirando todos os motivos e motivações pra eles estarem lá. Parece que a segunda vez já foi mais de boa, eles tinham um pouco mais de moral, já sabiam como era, etc. Não sei porque eu não vi nenhuma das duas.
Mas é um fato conhecido que o programa do Jô é muito menos pra apresentar os convidados do que pra encher a bola (trocadilho, alguém?) do próprio Jô. E acho que quem vai lá sempre está meio que despreparado pra isso, principalmente na primeira vez. A não ser que seja neguinho muito escroto, tipo o Green Jelly, que duvido muito que tenha ficado sem graça ou qualquer coisa do tipo.
Enfim, isso é só pra dar uma prévia e avisar que, fora do costume do Antiblógue, vou colocar aqui um textão do Bruno Medina, do Los Hermanos, sobre a tal entrevista deles, que espero qe o Che tenha gravado.
"
 Há algum tempo que não escrevo sobre a banda aqui no blog. É porque eu quero mesmo fazer essa diferenciação entre o Bruno-blogger e o Bruno-Los Hermanos; no mais esse blog não se pretende a ser um espaço exclusivo para os fãs, e além disso agora também tenho uma coluna semanal no nosso site exclusivamente sobre a banda, portanto vou parar de me explicar e partir logo pro assunto que eu quero abordar. Hoje vou escrever sobre uma semana peculiar dentro da minha rotina, uma semana de banda. Têm semanas que não são de nada, aliás às vezes eu fico pensando como me sobra o tempo entre uma viagem e outra, preciso de novos hobbies! E nessa semana de banda, numa conversa, fui levado a pensar sobre a rotina da minha profissão em comparação a de uma pessoa normal, que trabalha, que tem chefe, férias, prazos, horários e tal. A minha rotina é assim: acordo às 5 da manhã e pego o ônibus da banda. Durmo um pouco e, mal dormido, acordo numa cidade a 6 ou 7 horas de distância da minha casa. Chegando lá almoço, depois do almoço não consigo dormir e fico vendo tv, qualquer merda. Às vezes dou uma entrevista, vou numa rádio e espero, espero, chegar a hora da passagem de som. Passo os meu teclados em 4 minutos e espero, espero, espero os outros passarem os instrumentos deles. Daí já está na hora do jantar, eu janto, morrendo de sono, e vou dormir para repor as horas da manhã. Sou acordado a meia-noite, no meio de um sonho qualquer que ficará sem conclusão, e vou fazer o tal do show. Pra quem estava dormindo quinze minutos antes um show como o do Los Hermanos pode ser difícil. Meu coração dispara nas primeiras músicas, me sinto como um animal de pequena circulação, tipo um passarinho a ser negociado na feira livre, tipo alguém que estava dormindo e foi levado... pra um show de rock. Daí vou me acostumando com o barulho e tal (talvez por isso eu não sorrio muito, hehehe), vou entrando no clima do show e no final sigo para o camarim. Chegando lá tiro fotos, dou autógrafos, ouço histórias das quais não me lembro, recebo abraços, respondo perguntas sobre coisas que não sei, me falam sobre esse blog e eu volto pro hotel. Tomo banho e durmo de novo, até às 5hs da manhã, quando parto pra outra cidade e tudo começa de novo, igualzinho, só que às vezes eu tomo sorvete de tarde. Pois a partir de hoje não viajo mais sem um livro, seja sobre o que for a leitura, sem livro não haverá show! Vou ocupar todo meu tempo livre com a leitura, até me tornar um profeta do conhecimento, até conseguir pegar moscas no ar e aprender a fazer Bonsais. Essa que narrei pode ser uma semana típica, como já houve tantas outras nesses anos de banda, mas deixem-me colocar aqui uns detalhes para dar mais sabor a história. A semana começou em São Paulo, com a gravação do Programa do Jô. Lá eu aprendi várias coisas sobre a vida, em apenas 20 minutos, não é ótimo quando isso acontece, assim, rápido? Quando eu estava na faculdade tive que fazer um trabalho-mala sobre tomada de discurso e tinha como objetos de estudo Faustão e Jô Soares. O trabalho consistia em observar como cada um deles tomava para si a palavra durante uma entrevista. Logo percebemos que o Jô, quando toca num assunto desagradável, pousa sua mão gordinha sobre o braço do entrevistado e introduz a pauta polêmica, prática que foi por nós descrita como carícia atenuante. A vida dá duas cambalhotas e, sete anos depois dessa descoberta, estou lá, no sofá do gordo, com esse trunfo maravilhoso nas mãos. Para mim a entrevista estava no papo porque qualquer coisa eu discorreria sobre a carícia atenuante, seria como uma bomba de gás lacrimogêneo numa passeata, uma prova desconhecida e incontestável num julgamento, como o segundo vestido da debutante na festa que a introduz ao mundo dos adultos, como um Mineirinho contrabandeado na festa de fim de ano na fábrica da Coca-Cola. Mas eis que o destino, só para lembrar quem bota as cartas na mesa, faz com que esse gordo filho da puta em 15 minutos de conversa, talvez pela primeira vez em 15 anos de TV, faça uma entrevista sem se utilizar da maldita carícia atenuante! Ao invés disso, pra fazer graça, se agarra na mão do pobre Rodrigo que com os olhos me pede pelo amor de Deus qualquer virada de mesa que o tire daquela situação de sudorese manual e vexame nacional com o Jô. O tempo passa e ele não larga a mão! Não Rodrigo, isso aí não se caracteriza como carícia atenuante, desculpe. Ponto pro gordo, quebrou a gente. Depois disso ele me puxa aquela história sobre o primeiro show da banda fora do Rio, que eu passei pra assessora dele dias antes por telefone (parem as máquinas, é uma fraude!). Todo mundo já deve ter percebido que o Jô pergunta umas coisas que ele não sabe e nem tinha como saber, certo? É porque existe uma pré-entrevista antes do programa para que ele tenha algumas cartas na manga quando não lhe ocorre nenhuma gracinha pra fazer. O imbecil aqui forneceu munição para o inimigo, contou a história pro gordo perguntar, e ele perguntou, e eu contei. Só que o que eu aprendi foi que o programa é dele. A graça, quem faz é ele e qualquer história que tenha mais de 30 segundos está condenada ao fracasso, ao acharcamento público, principalmente quando não é contada por ele. O maldito Bira, que ri de tudo e salva o programa sempre, só ri das piadas dele! Aprendi tudo isso na lata, mediante ao não riso da platéia em relação a uma história que eu sempre julguei engraçada. Daí o Bruno, que sempre foi engraçadinho, que sempre contou historinhas, que sempre se achou o engraçadão da paróquia, que foi erguido em glória ao subir no palco do Prêmio Multishow de 2000 e fazer uma piada que levou ao riso todo o Teatro Municipal, inclusive a sisuda classe artística de primeira linha e a platéia na parte de cima, dessa vez feneceu em cadeia nacional, com uma história sem graça, no programa do Jô. Mas a vida é isso aí, um dia é da caça e outro do caçador. Na última terça foi dia do caçador, reconheço. A semana seguiu e dormi num hotel-presídio com lençóis pulguentos e rasgados que me davam coçeira, um calor miserável e banho gelado, o som pifou na hora do show, fomos ameaçados com uma arma por um playboy insano que queria ouvir Anna Julia, um show quase foi cancelado e acabou rolando meia bomba com metade da cidade achando que não estávamos lá. Tudo isso aconteceu num único final de semana e eu não tinha sequer um bom livro pra ler.
"
posted by Badá 16:33
|
 |