Sei Lá Nostra Goia, Cristo!
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"O que não existe não é necessariamente uma coisa que não existe, pode ser simplesmente uma coisa com a característica inexistência vinculada a ela"


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Buroracias

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{sexta-feira, maio 12, 2006}

 
Sobre católicos, idiotas e exposição

Católicos

Na verdade, tudo aqui é de uma forma ou de outra sobre o Código Da Vinci, tanto o livro quanto o filme quanto toda a polêmica que se vem criando (pensando bem, é nessa ordem, inclusive).

Esses dias, com a estréia do filme, muita gente, do mundo todo, fica dando suas opiniões e seus pitis sobre o assunto. Na Índia, tem uns fazendo greve de fome pra que o filme seja proibido, e um outro ainda ofereceu 25 mil dólares pelo Dan Brown (autor do livro), vivo ou morto. Tudo isso basicamente porque, como você já deve saber, o livro diz que Jesus se casou com a Maria Madalena e teve filhos, e que essa história de que ele morreu virgem e que a Maria Madalena era uma prostituta são modificações da doutrina (ou 'história') original, feitas pela Igreja Católica pra reprimir, respectivamente, o sexo e a importância das mulheres.

O livro diz, nas primeiras páginas, os (poucos) fatos e deixa claro que é ficção, mas de fato o tom não é. Aliás, o que é interessante no livro não é o enredo, mas o que o personagem - fictício - conta como não sendo fictício. Aparentemente, o problema é justamente esse: é plausível.

(Aliás, mais do que o outro livro.)

Eu me lembro que alguns meses atrás eu ouvi dois caras conversando sobre o Código Da Vinci. Um deles (talvez o outro também) era católico, e a certa altura da conversa falou mais ou menos o seguinte:

- Cara, quando eu acabei de ler o livro, eu fiquei em crise uns quatro dias! Eu comecei a questionar a Igreja, sabe, se a minha fé tava certa... Mas aí eu deixei esse assunto pra lá, esqueci, e melhorei.

Não preciso comentar, né?


Idiotas

Além dos idiotas já citados - e idiota aqui se aproxima do sentido original - , um deputado de São Paulo (cujo nome não vou procurar agora) quer proibir a projeção do filme. Segundo ele, isso não é censura, é simplesmente cumprir a Constituição, que diz que não pode haver desrespeito a nenhuma religião. E do ponto de vista dele, o filme apresenta uma teoria alternativa que contraria a Bíblia, e isso é desrespeitar a religião.

Esse nobre deputado de nobres intenções provavelmente é contra também adesivos do tipo "Jesus é o Senhor". Afinal de contas, para os Judeus, o Senhor não é esse tal de Jesus não. Para os xintoístas, nem existe O Senhor. Isso sem falar dos sermões televisionados que dizem, explícita ou implicitamente, que praticantes de Macumba ou Candomblé vão todos pro inferno. Por que não proibiram aquele filme do Jim Carrey, Todo-Poderoso? A personificação de deus assim é contra os princípios islâmicos. O motivo é óbvio: é um filme de comédia, que ninguém leva a sério.


Exposição

E é justamente por esses dois motivos que neguinho anda fazendo tanta onda com o Código Da Vinci: porque pode ser levado a sério, e porque está aí pra quem quiser ver. Então os católicos e os idiotas que acham que questionar é errado acham que o certo é proibir o filme (e, de quebra, matar o autor do livro).

Algum tempo atrás, o Dan Brown foi acusado de plágio pelo autor de um livro anterior, que ele até cita como fonte pro Código Da Vinci. O tal livro expunha mais ou menos a mesma teoria. Mas aparentemente, ninguém está tão preocupado em oferecer recompensa pela cabeça desse cara, ou proibir esse livro. Argh, a publicidade!

Na banca da UnB, por exemplo, com alguns reais você pode começar a ler uma revista em quadrinhos das melhores que há, chamada Preacher, escrita pelo Garth Ennis. Pela falta de piti, suponho que esse povo que tão ardentemente combate o Código Da Vinci nunca deve ter ouvido falar dela.

A primeira página (abaixo) já seria o bastante pra alguns protestos.
(Note que o cara que diz a última frase é um pastor.)



Mas o que vem depois é que faz o Dan Brown parecer um coroinha.



posted by Badá 11:18

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Manifeste-se a respeito

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