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terça-feira, outubro 23, 2007
Ingleses, Colombianos, um Argentino e o Dinheiro (que não existe)
Ora, vejam! Não faz tanto tempo que eu escrevi aqui... Vi umas coisas que pensei em trazer pra cá, mas a maioria envolvia discorrer sobre um tema ou escanear algo, etc etc, e deixei pra lá.
Mas agora, vim, sem compromisso, comentar sobre ingleses, colombianos, um argentino e o dinheiro (que não existe). Não nessa ordem.
Começa com os ingleses e o dinheiro:
O Radiohead, como todos já devem saber, lançou o novo disco de graça - ou quase isso. Ninguém te cobra por baixar o disco, mas se você quiser pagar, paga. Foi uma atitude bem da legal, e não muito inesperada, já que algum dia alguém ia mesmo fazer isso ou algo parecido. Talvez até já tenham feito.
Li hoje, por exemplo, que alguns anos atrás (em 2001, ou antes) a editora britânica do Neil Gaiman, que à época não estava com essa bola toda no mercado de livros, fez a seguinte campanha promocional para o lançamento de American Gods: o livro vinha uma daquelas tiras de papel em volta da capa dizendo que era melhor que Stephen King, e se você não achasse, podia devolver o livro e eles devolviam o dinheiro. Além disso, o preço de lançamento era de 10 libras, e não as 17 que seriam depois.
O livro acabou ficando na lista dos 10 mais vendidos no Reino Unido, com sei lá quantos milhares de cópias, e a editora recebeu três pedidos de reembolso. Um outro leitor mandou uma carta dizendo que realmente tinha gostado do livro, e por isso queria pagar o preço inteiro - e mandou um cheque com as 7 libras que faltaram.
Eu ainda não sei no que a história do Radiohead vai dar, mas eu acho que deixar as pessoas pagarem o que elas acham que é justo por um "produto de criação" é uma ótima idéia.
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Caramba, acabei de lembrar que fiquei de falar do dinheiro (que não existe), dos colombianos e do tal argentino... Bem: mais um inglês, o Douglas Adams, escreveu (para uma palestra, eu acho) sobre por que ele "estava convencido de que não há um Deus" (o que, como ele explica, é diferente de dizer que "não acredita"). O texto, a certa altura que não vou contextualizar, compara a idéia de deus ao dinheiro. Basicamente, o dinheiro não existe. As notas que o representam não servem pra nada, não podem ser plantadas, comidas, não se faz casas com dinheiro. O dinheiro é uma representação de trocas que fazemos, seja ela de trabalho por coisas, ou de coisas por coisas, ou de tempo por nada... e, além, de tudo, o dinheiro é uma invenção da humanidade - não existia antes, não é algo intrínseco à natureza nem ao mundo, é algo que nós criamos para facilitar algumas interações entre nós mesmos.
E mesmo assim, se, de repente, acabasse todo o dinheiro do mundo, a nossa sociedade atual (ou enfim, a ocidental cristã, mas não só essa) desmoronaria. Isso porque ela está fortissimamente fundamentada em algo que nós criamos, e que na verdade mal existe. A mesma coisa com 'Deus'. Pode ser verdade, como argumentam alguns, que a "presença" de um Deus está tão forte na humanidade que, se de repente fosse revelado que ele não existe, haveria o caos ou o que quer que seja. Mas isso não quer dizer que a idéia de Deus não seja (como o dinheiro) algo criado pelos humanos - e cuja existência ou não não faz, fundamentalmente, a menor diferença.
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E agora, os colombianos e o argentino: Vai estrear, sei lá quando, sei lá onde, um filme sobre a influência do Che Guevara, e como as pessoas o vêem. Inclusive sobre um grupo de colomb... na verdade, bolivianos. Acho. Mas não vou corrigir nada agora. Enfim: um grupo de bolivianos cristãos que ignora o ateísmo do próprio Che e considera que ele foi um santo. Bem, fazer o quê, coerência nunca foi o forte de nenhuma religião.
(Pensando bem, coerência nunca foi o forte da humanidade...)
posted by Badá 23:36
3 Comments:
Vou comentar por partes, pois estou lendo assim: sobre o radiohead. Depois de todo o estardalhaço será lançado em janeiro o álbum físico. O guitarrista disse que foi uma bela jogada de marketing colocar o álbum em mp3. De fato foi. No Brasil deve chegar na segunda semana o cd, mas uma edição italiana, que não será distribuída por nenhuma major - talvez isso seja mais legal que o álbum de graça na internet.
Pode fazer propaganda de outro blog aqui? Locomotiva - nova postagem
Só agora fui ler o post. Eu ficava o maoir encucada com esse lance do dinheiro, pensando que era só um monte de papel sem "valor" e que o brasil deveria imprimir mais notinhas pra gente ficar mais rico e tal. Mas me explicaram que tem de ser baseado em ouro né, sei lá. Enfim, acho muito louco esse sistema de troca e achei massa a comparação Eu quero comentar tb sobre esse escritor aí. Nunca li. mas agora tô na pilha
Manifeste-se a respeito
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